Ele lembrar-se-ia sempre do sabor do sal. O sal das lágrimas que nunca ninguém tinha visto, que talvez ele nunca tivesse derramado, perdidas no mar do Verão. O sal do sangue que parecia contar-lhe, de cada vez que o sentia latejar, a história dos seus erros e arrependimentos. Deitado na praia, os lábios que tinha beijado só lhe sabiam a perda e ao sal do mar e da saudade de uns outros lábios distantes. A partir daí, percebeu que o sol tinha parecido brilhar menos porque estava sem ela e queimar porque o seu coração tinha ficado no início do Verão e doía perdê-lo.
Quando ela o abraçou outra vez e tudo voltou a estar no seu lugar, o Verão tinha acabado. Sabia que ela estaria ali para lhe lembrar do sal das lágrimas dela, que ele tinha derramado, e dum Verão que não tinha feito sentido.
Ela lembrar-se-ia sempre do sabor a sal daquele Verão. O sal das lágrimas que ele nunca tinha libertado mas que tinham estado algures ali escondidas, entre palavras e sorrisos despreocupados. Lembrar-se-ia sempre de como ele a fazia rir com um único olhar e de como se sentia como uma criança, quando ele aparecia à sua porta e ela tremia da cabeça aos pés. As palavras gosto de ti, num pedaço de papel gasto, estavam gravadas com as recordações e não seriam levadas embora com o calor da estação.
A boca sabia-lhe ao sal de lágrimas inúteis, entaladas para sempre num aperto na garganta. Lágrimas de amores de Verão, que nem tinham chegado a sê-lo de facto mas que deixavam um sabor amargo a saudades para trás.
Quando ele a beijou pela última vez, ela sabia que seria a última vez. O Verão estava a chegar ao fim e sabia bem o que ele levaria. Estranhamente, não recordaria amor, nem paixão, nem desejo, mas antes um friozinho na barriga e a corrente de electricidade que a percorria quando a mão dele roçava a sua. Recordaria sempre com um sorriso de melancolia de como se tinha sentido uma menina a descobrir um primeiro amor, num olhar e numa canção cantada sob as estrelas.
O Verão acabou, dando-lhes tempo para os lábios provarem a mágoa do sal. Os corações de Verão, que andavam mais depressa do que a luz que brilhava sobre eles, eram os que esqueciam mais devagar.














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Ancient Ways, Modern Days
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Sometimes you just have to make the decision to be happy
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